Opa! Aqui é o Quezada.
Provavelmente isso pode doer em você, e se isso acontecer, que bom.
É o seguinte: talvez você não seja o melhor naquilo que escolheu fazer. Sim, é isso mesmo que você leu.
Existe um momento silencioso na carreira em que muitas vezes a nossa ficha cai e percebemos que não somos tão bom quanto imaginávamos. E isso não vem como um grande fracasso explícito, mas como um incômodo constante, uma comparação que insiste em aparecer, uma sensação de esforço alto para retorno baixo.
A reação mais comum é insistir. Trabalhar mais, estudar mais, tentar provar algo para si mesmo e para os outros. O problema é que, muitas vezes, essa insistência acontece sem reflexão. A gente repete os mesmos comportamentos esperando resultados diferentes, como se o tempo, por si só, resolvesse o desalinhamento entre quem somos e o jogo que estamos jogando.
Foi assim em um período da minha trajetória. Eu era desenvolvedor de software, mas não era excepcional tecnicamente. E ao meu redor estavam pessoas brilhantes, com uma “facilidade” absurda para aquilo. Isso começou a me incomodar de verdade. Não porque eu não estivesse evoluindo, mas porque percebia que, naquele campo específico, o esforço para competir seria sempre desproporcional.
Com o tempo, algo mudou. Ao invés de insistir em ser o que eu não era, comecei a observar melhor onde eu naturalmente me destacava. Comunicação, visão mais ampla, capacidade de conectar pessoas, organizar ideias, liderar. Habilidades que, até então, pareciam secundárias, mas que faziam diferença real no contexto em que eu estava.
A transição não foi uma ruptura, nem uma decisão dramática. Foi um deslocamento de eixo. Continuei no mesmo ambiente, mas passei a jogar um jogo diferente. Enquanto alguns cresciam pelo aprofundamento técnico, eu crescia por outras frentes. E isso não me tornou melhor ou pior, apenas mais alinhado.
Muitas vezes falamos de transição de carreira como uma troca radical de profissão, quando na prática ela costuma ser mais sutil. Às vezes, não é sobre mudar de área, mas sobre mudar o critério de sucesso. É deixar de medir valor apenas pelo que é óbvio e começar a enxergar força no que é complementar.
Confesso que existem dias em que eu gostaria de voltar ao “conforto” de apenas executar, sem precisar lidar com pessoas, decisões difíceis ou conflitos. Mas foi justamente desenvolver essas habilidades que não estavam no meu plano inicial que me permitiu crescer profissionalmente.
Nem todo mundo vence sendo o melhor. Mas muita gente vence sendo diferente, quando tem coragem de parar, observar e reconhecer seus próprios pontos fortes.
Agora, pare para pensar se está insistindo em um jogo que não favorece suas forças e também entender onde, de fato, você se diferencia.
Abraços e TMJ 👊🏻
Quezada




